ROTEIRO

    Mogi das Cruzes é uma cidade bem desenvolvida próxima da cidade de São Paulo e do Vale do Paraíba. Tem fácil acesso por diversas rodovias, assim como Jacareí e Guararema. A Ferrovia que trouxe muito progresso e facilitou a locomoção, chegou em Mogi em 1875 e depois em Jacareí em 1876, com os trilhos da Companhia São Paulo e Rio de Janeiro que foi depois encampada pela Central do Brasil. Nosso passeio começará em Mogi, mais precisamente no Distrito de César de Souza. É bom ressaltar, que a linha foi reformada por empresas contratadas pela MRS Logística SA e pela VCP - Votorantim Celulose e Papel, para fazer o transporte ferroviário de cargas.

Mapa da Região com as Estações Indicadas. Copyright: Cone Leste Paulista

Estações entre Mogi e Jacareí:

 

Mogi das Cruzes

Estudantes

Mogi Shopping

César de Souza

Sabaúna

Luís Carlos

Guararema

São Silvestre

Bom Jesus

Campo Grande

Jacareí

 

Mapa retirado do Site Cone Leste Paulista

    A Estação de César de Souza foi inaugurada em 19 de Agosto de 1921 pela Central do Brasil. Tem esse nome em homenagem ao Engenheiro João Augusto César de Souza, chefe da 5.ª Divisão da Central em 1890. Em volta dela nasceu o Bairro e Distrito Mogiano de César de Souza, que conta com uma grande população nos dias atuais. A Estação já não recebe passageiros como as demais deste trecho a quase 20 anos, com o fim do último trem de passageiros em 1986 (o chamado mistinho, que fazia a linha Mogi das Cruzes - São José dos Campos). Ela encontra-se em bom estado, e atualmente é utilizada como escritório da Dicimol Distribuidora de Cimento Ltda, nossa parceira. Ela será o ponto de partida para o nosso Trem Turístico. Atualmente o pátio da Estação é utilizado para movimentação de vagões de cimento em um armazém que existe bem ao lado, que também é da Dicimol. Além disso ainda temos os vagões da VCP que são movimentados no local. É importante citar que há o projeto de criação de uma ponte rodoviária a partir do Mogi Shopping para levar passageiros até César de Souza, para eles embarcarem no Trem. Com isso obteríamos mais visibilidade, atraindo mais turistas e passageiros. Por isso a indicação no mapa acima.

Estação César de Souza

Foto: Estação de César de Souza, por Gledson O. R. - ANPF

    Saindo de César de Souza, descemos pela Serra de Guararema em direção à Sabaúna. Esta Serra, que divide a bacia do Paraíba da do Tietê, chega a ter declividade máxima de 2%, ou seja, a cada 100 metros que andamos na horizontal, descemos 2 metros na vertical. Fazendo uma comparação para termos uma idéia da dificuldade do traçado, 2% é o mesmo declive encontrado na Serra do Mar nas linhas da Central do Rio de Janeiro! Geralmente no planalto e na baixada, o declive é de somente 0,5%! As dificuldades em se vencer esta Serra, foram as responsáveis pela necessidade da construção da Variante do Parateí, culminando assim com a gradual redução de trens deste trecho até a sua completa desativação por vários anos. É uma região muito interessante, onde a beleza das paisagens e do traçado da linha se destacam. Continuando em direção da próxima estação, entramos no acidentado vale do Guararema, um ribeirão que corta diversas vezes a linha da Central, e então chegamos a Sabaúna, que curiosamente, está geograficamente localizada no Vale do Paraíba, apesar do Distrito pertencer a Mogi das Cruzes, cidade do Alto Tietê.

    O primeiro prédio da Estação de Sabaúna foi inaugurado em 1.º de Janeiro de 1893. A Estação toma o nome da localidade onde foi construída. Por muitos anos, foi uma pequena estação de madeira, como algumas outras pequenas estações do Vale. Em 1932, foi concluída a construção do prédio atual, 3 de Maio deste ano, construído graças aos esforços do Prefeito de Mogi na época, Eduardo Lejeune e do Engenheiro Residente da Central, Dr. Mário Castilho do Espírito Santo. Como conta Cleide Maria Nogueira Soares, seu tio, ainda vivo, brincava na Estação, quando suas paredes ainda estavam inacabadas. Ela também conta que o antigo prédio de madeira ficava a cerca de 100m da nova estação, e passou a servir de residência para funcionários até meados dos anos 60 e depois desapareceu completamente em fins da década de 80. Como curiosidade, foi 200 metros à frente da Estação de Sabaúna no sentido Rio de Janeiro que, em 1954, se deu um assalto a um Trem Pagador da Central, noticiado pela imprensa na época, com destaque para a Revista O Cruzeiro. Em 1986, passou por ali o último trem de passageiros (o chamado mistinho, que fazia a linha Mogi das Cruzes - São José dos Campos) , mas na época a Estação servia apenas como plataforma já que o prédio funcionava então como Arquivo da RFFSA. Depois de servir como Arquivo,  ele foi evacuado e a Estação caiu no abandono, iniciando o processo de degradação e depedração. Em 1990, uma família ocupou o prédio que estava vazio, ficando ali por muito tempo, repartindo o espaço com uma "ONG de fachada", que na verdade era uma forma de justificar a "tomada" do prédio por esta família. Essa ONG na verdade não funcionava realmente, sendo que o lado da estação em frente à via, detalhes da estação, pintura e portas foram muito danificados e maltratados. A família que ocupava o prédio foi retirada por meio de um acordo em Junho de 2003, e em breve a Estação se tornará oficialmente a Sede da ANPF.

    É interessante citar, que Sabaúna possuía um grande pátio de manobras por estar praticamente no pé da serra, a partir de onde a subida se acentuava, e que existia um pequeno ramal para uma pedreira da Central. Ainda é possível ver vestígios dessa pedreira, onde encontramos uma cachoeira. Em Sabaúna encontramos também algumas moradias utilizadas pelos ferroviários antigamente, como as casas da Turma, e com destaque para a bela casa do antigo Chefe da Estação e para a Caixa d'Água da EFCB de 1916. Encontramos também casas da Turma logo depois de deixarmos César de Souza. Essas casas alojavam os trabalhadores da Via Permanente, que eram responsáveis pela conserva e manutenção de pequenos trechos da via, geralmente de 10 quilômetros.

    Saiba mais sobre Sabaúna na Coluna N.º 13 da Seção "A História nos Trilhos".

Estação Sabaúna

Foto: Estação de Sabaúna, por Fábio Barbosa - ANPF

 

 

 

Caixa d'Água EFCB 1916

Foto: Caixa d'Água EFCB 1916, por Christoffer R. - ANPF

    Saindo de Sabaúna, continuamos no vale do Guararema, ribeirão que chega a cortar a linha até o Centro da cidade de Guararema cerca de 14 vezes! As primeiras pontes já podem ser vistas à pouca distância da Estação de Sabaúna. Este córrego costumava inundar a linha férrea, e para minimizar o problema, a Empreiteira contratada para reforma da linha o alargou e fez algumas obras de contenção. Continuando em direção à próxima Estação, entramos no Município de Guararema, e chegamos à Luís Carlos.

    A Estação de Luís Carlos foi inaugurada em 6 de Novembro de 1914. Tem este nome em homenagem ao Dr. Luís Carlos da Fonseca, chefe do 2.º Distrito do Tráfego da Central quando se inaugurou a Estação, que depois foi chefe do Movimento, Sub-diretor da 1.ª Divisão nas Administrações de Carvalho Araújo e Arlindo Luz, além de Diretor Civil da Estrada, nomeado pela Junta Governativa de 1930. Nesse posto se conservou de 24 de Outubro a 5 de Novembro daquele ano. Foi também elegante prosador e primoroso poeta. Deu também nome à bucólica Vila em que se encontra. Como curiosidade, segundo informações não confirmadas, alguns filmes do Mazzaropi teriam sido filmados na Vila de Luís Carlos. A localidade antigamente antes de anexada a Guararema, era parte de Mogi das Cruzes. Nas proximidades da Estação há também algumas construções da Central, com destaque para uma casa de tijolinhos aparentes, que ainda ostenta o Símbolo da grandiosa Central do Brasil. A Estação está em mau estado de conservação, e estava sendo utilizada como moradia. Os moradores foram retirados, e a Estação está à espera de uma restauração que deverá ser realizada pela Prefeitura de Guararema, que detém agora a posse do prédio. O pátio de Luís Carlos era razoável, sendo que o prédio da Estação era cercado pelas linhas.

Estação Luís Carlos

Foto: Estação de Luís Carlos, por Fábio Barbosa - ANPF

    Saindo de Luís Carlos, continuamos no vale do Guararema, até chegarmos ao rio Paraíba do Sul. No meio do caminho, temos uma pequena cachoeira formada na região de uma das pontes da linha de 9,45 metros. Chegando perto da próxima estação, chegamos ao fim da Serra de Guararema e do Vale do Guararema, que deságua Rio Paraíba do Sul, atravessando o córrego pela última vez, a cerca de 1 quilômetro da estação. Depois chegamos à Guararema.

    A Estação de Guararema foi inaugurada em 2 de Julho de 1876. Ela toma o nome da localidade onde foi construída. O atual prédio não é o original. Ele tem basicamente as mesmas formas da Estação de Sabaúna, e foi construído por volta de 1927. Guararema possuía um razoável pátio de manobras, que foi desmontado há menos de 7 anos. Esta ação acabou na época, debilitando superficialmente a linha que passa logo ao lado da Estação (Linha 1). A outra (Linha 2), encontrava-se em condições normais. Agora, as duas foram reformadas e encontram-se com capacidade de operar normalmente. Juntamente com o pátio, teria sido destruída uma antiga Caixa d'Água da Central que deveria existir por ali, e por fim, infelizmente foram retirados alguns antigos sinaleiros da Central nas proximidades. O prédio está em ótimas condições, pois é utilizado como Centro Cultural da Cidade há um bom tempo.

Estação Guararema

Foto: Estação de Guararema, por Fábio Barbosa - ANPFIr para o Topo!

    Saindo de Guararema, bem próximo à Estação, temos a grandiosa e bela ponte sobre o rio Paraíba do Sul com 165 metros. Ela é composta por 2 semi-arcos, e foi recentemente reformada, o que aumentou muito a sua beleza. Há fotos históricas desta ponte com a grandiosa Locomotiva N.º 353 - a Velha Senhora, que pertenceu à Central do Brasil e hoje está com a ABPF. Depois de atravessarmos a Ponte, continuando em frente, nos depararemos com um antigo Túnel construído pela Companhia São Paulo e Rio de Janeiro, o chamado Túnel das Piluleiras, com 200 metros de extensão. Este Túnel não é mais utilizado, mas é possível avistá-lo da linha. Ele foi desativado no final da década de 40, pois não comportava o novo material rodante adquirido pela Central na época. Ele é limite entre Guararema e o Município de Jacareí. Antes de chegarmos na próxima Estação, passamos bem ao lado da fábrica da VCP - Votorantim Celulose e Papel, a responsável pela reforma da linha para transporte de cargas. Logo depois chegamos em São Silvestre.

Ponte de Guararema

Foto: Ponte de Guararema, por Ana C. Stabelito

 

 

 

Túnel das Piluleiras

Foto: Túnel das Piluleiras, por Christoffer R. - ANPF

 

 

 

Túnel das Piluleiras

Foto: Outro lado do Túnel das Piluleiras, por Christoffer R. - ANPF

    A Estação de São Silvestre foi inaugurada em 23 de Janeiro de 1913,  e teria tomado o nome de uma fazenda próxima que criava gado holandês. Chamou-se por algum tempo também Barão Homem de Melo, em homenagem à este ilustre filho do Vale do Paraíba, e ex-Presidente da Companhia São Paulo e Rio de Janeiro. A Estação encontrava-se em estado razoável, apesar de que ela estava sendo utilizada como moradia tendo sido construídos alguns anexos nela, que foram facilmente retirados sem prejuízo ao prédio. O prédio foi reformado pela MRS, e ganhou tonalidades claras, ficando com ótima aparência. Suas inscrições antigas foram mantidas, preservando assim, detalhes históricos. O que foi um dia o pátio e as plataformas, estava bem destruído e coberto por mato. Hoje ele foi totalmente reformado e remodelado para ser utilizado pela Fábrica. Antes de chegarmos a esta estação, foi construído também um viaduto, para que os caminhões possam passar sob a linha. Há também uma construção interessante de tijolinhos aparentes construída pela Central datada de 1921. As antigas casas de turma que existiam aí, foram demolidas por conta das obras do pátio para a Votorantim. Interessante também notar que o centro do Bairro fica um pouco distante da Estação, possivelmente por causa da fábrica, sendo que ele deve ter se deslocado depois da construção da mesma, a primitiva fábrica Papel Simão, que acabou sendo comprada pela Votorantim. Com a compra, a VCP ampliou a fábrica e trouxe mais desenvolvimento para a região, e continua investindo na ampliação da mesma.

Estação São Silvestre

Foto: Estação de São Silvestre, por Fábio Barbosa - ANPF

    Saindo de São Silvestre, nos aproximamos bastante do Rio Paraíba, chegando à Bucólica localidade de Bom Jesus.

    A Estação de Bom Jesus foi inaugurada em 5 de Agosto de 1894, mas hoje só resta partes da plataforma, cobertas por mato e sujeira. Seu antigo prédio, como os primitivos prédios de Sabaúna e Guararema, era de madeira, como conta o Sr. Dorival, de Sabaúna. Em volta, há algumas moradias do Bairro que tem o mesmo nome e possivelmente deu o nome à Estação. A região tem um acesso bem difícil. O Viaduto entre os dois túneis da Rodovia Governador Carvalho Pinto, faz parte do caminho de terra que dá acesso ao Bairro. Apesar de distante e difícil de se achar, este caminho é muito belo, e possibilita a visão de bonitas paisagens, como por exemplo a uma visão parcial do Vale do Paraíba e da Rodovia Governador Carvalho Pinto. O Acesso ao Bairro se dá pela rodovia SP 66, a antiga São Paulo - Rio, inaugurada por Washington Luís em 1928.

    Saindo de Bom Jesus, a linha se aproxima ainda mais do rio Paraíba,  e somos contemplados com belíssimas paisagens. Passamos em baixo de uma ponte da Rodovia Governador Carvalho Pinto. A região é denominada como Bairro de Campo Grande, onde há o projeto de construção de uma Estação para a Associação, principalmente pela beleza da Região, e pelo fácil acesso pela Rodovia. Deste trecho em diante, como o trecho foi devolvido ao Governo Federal, a Prefeitura de Jacareí pretende construir uma via de acesso rodoviário até o Centro da cidade, utilizando o próprio leito da Ferrovia, processo que já foi iniciado e atualmente está paralisado por falta de verba Municipal. Com isso, Campo Grande torna-se nosso ponto terminal. Daqui em diante, continuava o trecho muito belo, e a linha começava à chegar ao Centro de Jacareí, passando entre duas ruas, chegando pomposamente na Estação onde termina nosso passeio: Finalmente Jacareí.

    A Estação de Jacareí foi inaugurada em 2 de Julho de 1876 pela Companhia São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1925 o prédio atual foi construído e inaugurado. A região da Estação e o próprio prédio estão em ótimo estado. Foram reformados recentemente, e o prédio da Estação se tornou a Sede da Fundação Cultural Jacarehy. Há a existência de duas Caixas d'Água construídas pela Central do Brasil, para abastecer as locomotivas à vapor. Também fazem parte do complexo, dois armazéns, um deles reformado e utilizado pela Fundação Cultural, e outro, logo depois de uma passagem de nível, em processo de recuperação, assim como a plataforma logo em frente a ele. O pátio de Jacareí era muito grande, com a possibilidade de utilizar composições bem extensas, e várias ao mesmo tempo em seus inúmeros desvios. Lamentavelmente hoje o pátio está desmantelado, somente com trilhos logo à frente da estação.

Estação Jacareí

Foto: Estação de Jacareí, por Christoffer R. - ANPF

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

Este roteiro foi construído, tendo como texto-base, o livro Vias Brasileiras de Comunicação, de Max Vasconcelos, publicado em 1947. Ele foi transcrito e adaptado para formar esta Seção.

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