Chegou a hora do turismo sobre trilhos

Do O Estado de São Paulo, por Fábio Barbosa

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Terça-feira, 18.09.2001 - Não há dúvidas de que o turismo no Brasil vem crescendo, mas ainda precisamos de muitos investimentos, sejam públicos ou privados. Falando em poder público, sabemos que ele é o grande responsável pelo desenvolvimento do País. Desenvolvimento? Talvez não seja o termo mais correto para se usar em determinados setores. Não podemos, por exemplo, atribuir essa palavra ao de transportes, que, durante décadas, objetivou o desenvolvimento rodoviário. Em contrapartida, os investimentos nas ferrovias foram cessando.

    Muitas linhas acabaram sucateadas e seus trilhos, sub-utilizados e empregados até como postes de sinalização de trânsito.

    Não sou contra o meio rodoviário, mas é inconcebível que um país fique atravancado sobre rodas nas estradas. Dados da Embratur, de 1998, mostram que 87,6% do turismo doméstico é feito pelo sistema rodoviário.

    Mas parece que as coisas estão mudando, pelo menos para o transporte ferroviário de carga. Desde a privatização do sistema ferroviário brasileiro, a quantidade desses trens cresce, apesar dos obstáculos deixados pelo poder público.

    Embora os trens de passageiros de longo percurso tenham sido excluídos da concessão, existe a possibilidade de eles voltarem a circular pelo interior do País, conforme reza a nova lei da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a entrar em vigor em pouco tempo. Resta saber quem vai operá-los, já que se criou no Brasil a imagem de que o trem de passageiros de longo percurso é deficitário.

    Nos últimos anos, graças a alguns idealistas, um movimento de trens turísticos está em crescimento. Eles são instalados em linhas desativadas, mas recuperadas, e até em linhas operadas por concessionárias. Com isso, existe um segmento do turismo que ressurge e deve ser mais explorado.

    Devem-se ressaltar como grandes exemplos de turismo ferroviário o passeio entre Curitiba e Paranaguá, pelas Serras Gaúchas e com o Trem das Águas.

    Nesses casos, o atrativo é o próprio trem, complementado pelas atividades típicas regionais e pelas belas paisagens.

    Organizações não-governamentais, como a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), que tem como objetivo a preservação ferroviária, colaboram há mais de duas décadas com o turismo. Outro exemplo é a recém-criada Associação Nacional de Preservação Ferroviária (ANPF), que luta para conseguir o seu primeiro trecho ferroviário para a atividade turística.

    Após uma pesquisa sobre trens turísticos e outros que prestam serviços na área, foram catalogadas no Brasil 24 linhas férreas - 20 especificamente turísticas e 4 que servem para a atividade. Desse total, 13 estão no Sudeste, tendo movimento maior no Estado de São Paulo. Também é importante ressaltar que, de todos os trens turísticos, 15 são tracionados por locomotivas a vapor - as marias-fumaças -, que datam dos séculos 19 e 20.

    E ainda há muito a ser feito, pois linhas desativadas e com potencial para o turismo existem aos montes pelo Brasil, principalmente no Nordeste.

    É preciso deixar claro que existem trens especificamente turísticos, como o da Estrada de Ferro Corcovado, no Rio, e trens que servem para a atividade turística, como os de longo percurso da Estrada de Ferro Vitória-Minas, operada pela Vale do Rio Doce. Este último tem lucro e circula há mais de 54 anos.

    Quando se procura por alternativas à falta de emprego, esse novo segmento do turismo e do transporte serve de gancho para muitas prefeituras que contam com linhas ferroviárias.

    Sendo assim, por que a Embratur não cria meios legais para incentivar esse tipo de turismo? Por que o BNDES não investiga essa situação, já que os trens podem ser criadores de empregos diretos e indiretos? São muitas perguntas. Que algumas sejam respondidas, pois o turismo nacional e os amantes do trem agradecem.  (Fábio Barbosa)Ir para o Topo!

 

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