Apresentação:

 

     No último dia 06 de Março, foi completado um mês de aniversário da inauguração dos trabalhos de retirada dos trilhos da região central de Jacareí. No passado, eram comemorados a inauguração da Ferrovia, do alargamento de bitola, de datas especiais, passagem de ano novo, personalidades ilustres que passavam pela Estação, etc. Mas nesta data foi diferente. Foi comemorada a retirada dos trilhos. Um fato lamentável, para que seja seguido aquele velho lema proposto por Washington Luís: "Governar é abrir estradas". No lugar dos trilhos, será construída uma avenida, que segundo alguns jacareienses, resolverá os problemas de trânsito de Jacareí. Será? Só o tempo dirá.

 

    A Ferrovia, que desempenhou papel fundamental para o crescimento econômico de Jacareí, construída com um investimento de um jacareiense, sofre um golpe desta magnitude. Aquela área de Jacareí onde passam os trilhos era uma área periférica, um local semi-pantanoso. Com a passagem da Ferrovia, aquele lado da cidade passou a se desenvolver, tomando impulso comercial e habitacional, e de certa forma, crescendo desordenadamente para os lados da Ferrovia. E agora a Ferrovia que tanto ajudou Jacareí, é considerada um estorvo, a culpada de todos os males no trânsito da cidade e outros mais. Imagine então se todos os projetos ferroviários relacionados com Jacareí, como ligações ao Litoral Norte, Sul de Minas, tivessem vingado? É uma ocasião que lembraremos com tristeza.

 

    Para não esquecermos da Central em Jacareí, que tanto beneficiou a cidade, colocamos aqui para o público mais um Artigo de Luiz José Navarro da Cruz, composto de diversos Artigos, compilado em um só, que inicialmente foram publicados no Jornal Semanário de Jacareí  na Série Retratos da Cidade. Assim como os dois primeiros textos do Sr. Luiz José Navarro da Cruz, tomei a liberdade de transcrever estes também devido à grande importância histórica, merecendo ser transmitido a outras gerações por este meio tão dinâmico que é a Internet. Continuamos tentando contato com o Sr. Luiz José Navarro da Cruz, mas infelizmente não obtivemos sucesso. Se você, que leu este Artigo conseguir contato com ele, ou poder nos indicar uma maneira de podermos contatá-lo, ficaremos imensamente gratos. Não deixe de conhecer também os outros artigos.

 

Christoffer R.

Webmaster - ANPF

 


 

Março de 2004 - N.º 17

Textos de Luiz José Navarro da Cruz

 

 

Jacareí e a Ferrovia

 

 

2003-2004 - 150 Anos da Ferrovia no Brasil

2003-2004 - 150 Anos da Ferrovia no Brasil

 

 

FERROVIA: Linhas para o Progresso

 

    Em 1876, quando se inaugurou a primitiva Estrada de Ferro, Jacareí se ufanou pelo acontecimento, que em muito ajudava a prosperidade local. Aproximadamente, 30 anos depois, de novo, se fazia uma festa para saudar um fato auspicioso: o alargamento da bitola, ou seja, aumento do espaço entre as linhas férreas, atingindo a marca de 1,60m. Quando se fixaram as primitivas linhas, estas guardavam um intervalo de 1m, entre si, o que se chamava de bitola estreita. Era a Ferrovia do Norte de S. Paulo, que por aqui passava, percorrendo o território paulista. Entretanto, quando as linhas enveredavam pelo Estado do Rio de Janeiro, o nome da estrada mudava para “D. Pedro ll”, sendo esta uma ferrovia de bitola larga (1,60m), desde que foi implantada, por volta de 1860. Desta forma, ampliando-se a bitola do trecho paulista, igualava-se as dimensões das linhas, permitindo que a ferrovia, agora unificada com o nome de Central do Brasil, tivesse seu tráfego de trens com uma superior capacidade de carga e passageiros, desde a cidade de S. Paulo até à do Rio de Janeiro, com benefício patente para todos os municípios incluídos no trecho. Ficavam, por conseguinte, retiradas de circulação as pequenas composições, que as “Marias-Fumaça” puxavam com relativa lentidão e carga diminuta.

 

Aqui temos a foto da Estação de Jacareí, publicada no Relatório da Estrada de Ferro Central do Brasil de 1923. Podemos notar um fato curioso na foto: Ao lado da nova Estação, temos o antigo Prédio, que ainda não havia sido demolido na ocasião. Foto da Coleção de: Manoel Marcos Monachesi. Cortesia: Jorge Alves Ferreira Jr., Juiz de Fora-MG.


    Em 29 de Novembro de 1905, com muito entusiasmo, eram recebidos em Jacareí, altos dirigentes da Central do Brasil, além de representantes do governo do Estado e da República, autoridades civis e militares, bem como jornalistas de S. Paulo e Rio de Janeiro, para a inauguração da “bitola larga”. Era o maior acontecimento da cidade naquele ano, pois representava um investimento público de porte, que o presidente Rodrigues Alves, - paulista de Guaratinguetá -, dava como especial presente ao Vale do Paraíba. Para se aquilatar o que representaria este empreendimento em 1905, basta que se diga que em 1946, a “bitola estreita” continuava sendo um problema para a malha ferroviária brasileira, responsável pelo baixo rendimento do setor, segundo avaliação técnica. Em 1960, as estatísticas mostravam que esta diversidade de bitola continuava persistindo, com muita linha estreita em funcionamento. E, portanto, evidente o grande valor, que Jacareí recebia logo no início do século, o que gerou uma capacidade operacional muito maior para nossa Estação Ferroviária. Em conseqüência, forasteiros chegavam para ficar, ajudando a dar nova vida ao nosso comércio, que enfrentava uma crise, desde 1887, quando a Lei da Abolição desequilibrou, temporariamente, as finanças de uma região quase que essencialmente agrícola.

Foto da Estação de Jacareí, que segundo Carl von Koseritz, era pequena, porém muito animada. Foto da Coleção de Rosário Blois.

Acima temos a antiga Estação de Jacareí na ocasião da inauguração do Alargamento da Bitola, em 1905. Foto da Coleção de Rosário Blois. Publicada em (?).


    Por exemplo, o italiano Giuseppe Mattana, ancestral de tradicional família jacareiense, aqui chegou por esta ocasião, quando usando suas habilidades de artífice, trazidas de sua terra natal, manufaturava “botinas” para o pessoal das obras da ferrovia. Outro italiano - Valentin Niero, mais conhecido como Valentin Pinheiro (hoje nome de rua), também estava entre os trabalhadores que implantaram a bitola larga.


    O grande evento foi comemorado com um banquete servido no Hotel de Paschoal Marrelli, que ficava na própria Praça da Estação, local onde se reuniu uma pequena multidão, com banda de música, alunos das escolas e etc. E deste almoço, merece comentário, o seguinte fato: foi incumbido de discursar saudando as autoridades, o ilustre Prof. Lamartine Delamare Nogueira da Gama, diretor da escola secundária aqui instalada e que levava o seu nome: Gymnásio Nogueira da Gama. Este seu discurso foi transcrito pelo jornal “O Município”, mensalmente editado pela prefeitura de Jacareí. E logo no começo de sua fala, ao exaltar uma das personalidades presentes, disse de forma semelhante ao seu contemporâneo Rui Barbosa: “....nestes nossos dias, quando tão raros se acham de bem......”(!)- 29/11/1905.

 

O Café: Jacareí transforma-se em Cidade


    As terras do Vale, de massapé vermelho, dos morros e campos cobertos de mataria e fartas de material natural, ajudaram o desenvolvimento da lavoura do café. Ela entrou no Vale do Paraíba paulista por volta de 1790, chegando ao chamado “norte” da Província, de São João Marcos para Areias, propagando-se em seguida aos municípios paulistas contíguos. Já no início do século XIX, o café é mencionado entre os produtos que a província de São Paulo exporta para Minas e Rio de Janeiro, por via terrestre, isto é, pelo Vale do Paraíba.

 

Foto da Igreja Matriz de Jacareí. Além desta, temos ainda em Jacareí, próximo ao Centro e praticamente ao lado da Estação Ferroviária na Praça Conde de Frontin a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso de Jacareí. Foto: Coleção do Prof.º Ércio Molinari, Lorena-SP. Cortesia: Marco Giffoni, Caçapava.

    Ainda em 1836, o Vale do Rio Paraíba estava todo coberto pela mataria, mas a monocultura cafeeira já estava se instalando. Foi aí que o café passou a infância, onde se aprendeu os modos de plantar, colher e beneficiar e onde se desenvolveram novas maneiras de construir e morar. Mas também foi nesse vale que o café conheceu a geada, a seca e a erosão. O pior inimigo do café nessa região foi a erosão, uma vez que ele encontrou geada e seca mais severas, no baixo do Rio Paraná. No Vale do Paraíba a umidade estava assegurada pelos aclives das Serras do Mar e da Mantiqueira, cobertas de floresta e oferecendo naturais proteções. Por volta de 1840, a monocultura já se estabelece; o café já era o produto mais importante, responsável pelo papel econômico, social e político deste Vale paulista. A produção cafeeira da província em 1835-36, era de 590.066 arrobas.


    Destas, 86,5% originaram-se do Vale do Paraíba. O café gerou uma nova aristocracia, a dos Barões do Café do Vale do Paraíba. Para manter a monocultura e seu modo de vida, importou-se um contingente sem precedentes de escravos africanos, o que veio provocar mudanças na estratificação social e na constituição étnica. Alterou as feições do homem valeparaibano, os modos de pensar, agir, comer e habitar. As casas de moradas transferiram-se das fazendas para as cidades.


    As vilas, em torno das estradas, foram se constituindo em cidades, as igrejas foram se aformoseando, ergueram-se as Santas Casas e os Teatros. Em 1836, Jacareí tinha um cirurgião, fato que não acontecia nas demais vilas ao redor. Guaratinguetá, Bananal, Taubaté, Pindamonhangaba, Lorena, Silveiras, São José do Barreiro e Jacareí tinham casas de espetáculos, sempre animados por companhias e grupos profissionais ou amadores. Em 1858, Jacareí tinha 10 jornais e em 1873 o seu “Theatro” ficava na rua da Valla.
Os costumes foram se afrancesando. Ao porto de Parati acudiam “a gente de todas aquellas villas do Certão, como são a de Guaratinguetá, a de Pindamunhangába, Thaubathé & Jacarehy”, isto já no século XVlll. E o movimento tornou-se intenso na época, embarcando café e desembarcando “baixelas de prata, mobílias, mármores de Carrara, pianos”. O Vale se cobria da preciosa rubiácea. Somando-se ao porto de Parati, o de Angra dos Reis exportava, em meados do século, aproximadamente 100.000 sacas produzidas no “norte” do Estado.

 

    Os caminhos precisavam ser melhorados, modernizavam-se os transportes. Em 1875, a Estrada de Ferro vinda do Rio de Janeiro atinge Cachoeira. Organiza-se em São Paulo uma companhia destinada a construir uma ferrovia para encontrá-la em Cachoeira. Isso ocorreu em 1872, com a incorporação da “Companhia São Paulo e Rio de Janeiro”. Ima linha partiu de São Paulo passando por Mogi das Cruzes, Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena até Cachoeira Paulista. O encontro se deu em 1877.

 

Rua ANtonio Affonso, limite com o Largo da Matriz, Jacareí-SP. Foto: Coleção do Prof.º Ércio Molinari, Lorena-SP. Cortesia: Marco Giffoni, Caçapava-SP.

 
    O transporte do café, que por muitos anos fora feito no lombo dos muares, que tinham condições de enfrentar a topografia do Vale, com o crescimento da monocultura e a valorização internacional do produto, criou a necessidade da implantação de ferrovias. Além de modernizar o transporte do café, aumentando os lucros dos cafeicultores, pois a mercadoria passou a não sofrer danos, a ligação junto a Corte aumentou o poder político dos capitalistas e cafeicultores, nos meados do século XlX.


    A Ferrovia Rio São Paulo - Estrada de Ferro D. Pedro ll (1855), foi construída com recursos do Tesouro Imperial e a Estrada de Ferro do Norte, foi constituída por capitalistas e fazendeiros paulistas, em 1872. Entre os acionistas da Estrada de Ferro do Norte, no Vale do Paraíba, temos o Conde Moreira Lima (de Lorena) e João da Costa Gomes Leitão, cafeicultor e escravocrata de Jacareí. A Estação Ferroviária de Jacareí teve início em 1875 e foi inaugurada em 1876, sendo que a linha de bitola estreita entre a capital e esta cidade, data também de 1876.


    Por esta época, Jacareí vivia do comércio da lavoura cafeeira, sua principal riqueza. Era cabeça de comarca, abrangendo os municípios de Jacareí, Santa Branca, Santa Isabel, Mogi das Cruzes e São José do Paraitinga e era porto na linha de navegação desde a povoação “da Escada até a Cachoeira de Lorena”. Seus principais edifícios públicos eram a cadeia, o Hospital da Misericórdia, situado na Rua Direita, o Theatro e o Cemitério Municipal. Contava com os serviços advocatícios de três bacharéis e dois advogados provisionados, um inspetor de instrução primária, dois professores e duas professoras, respectivamente das 1.ª e 2.ª cadeiras, um guarda-livros, quatro médicos e cirurgiões, dois farmacêuticos, dois professores particulares de primeiras letras, três professores de piano e música, dezesseis lojas de fazendas, quatro armazéns de secos, vinte e sete armazéns de molhados.

 

Estação de Jacareí, com locomotivas a vapor ao fundo. Foto: Coleção do Prof.º Ércio Molinari, Lorena-SP. Cortesia: Marco Giffoni, Caçapava-SP.

    Nas “artes, indústrias e offícios”, tinha quatro alfaiates, dois armadores, um barbeiro, um carteiro, cinco carpinteiros, um colchoeiro, uma fábrica de chapéus, uma fábrica a vapor de descaroçar algodão, três ferradores, quatro ferreiros, dois fogueteiros, três funileiros, dois marchantes, três marceneiros, um pedreiro, um tintureiro, um violeiro, dois mestres taipeiros. Possuía duas olarias que ficavam no largo da Ponte. Três hotéis serviam aos viajantes. Tinha também duas padarias e dois “talhos de carne”. Uma casa bancária, em nome de João da Costa Gomes Leitão, localizada a rua da Ponte, servia à população, aos seis capitalistas, vinte e sete fazendeiros e onze proprietários.

 
    No fim do século e início deste, têm-se notícias de um fotógrafo em Jacareí: Gustavo Adolpho Schmidt. Por volta de 1860, Zaluar esteve em Jacareí e saudou o seu desenvolvimento animador; se deslumbrou com a “magnífica matriz” recém reparada e aumentada com seu bom gosto arquitetônico, bem como com o palacete do Barão de Santa Branca, que ocupava toda a face direita da praça da matriz. Relata também as obras da Santa Casa de Misericórdia e louva o Dr. Mourinho, que a iniciou e que empenhou esforços para terminá-la. Outro prédio que lhe prendeu a atenção, foi o palacete da Família Leitão, em “cujos pintados e dourados salões, poderia-se receber com orgulho a sociedade mais seleta da capital do império”. Referiu-se ainda à casa da câmara e à cadeia.


    A produção do café estava em franco progresso devido à “excelência de suas terras” e verificou que plantava-se ainda o fumo e gêneros alimentícios para o próprio consumo. Calculou-se que a população do município, estava entre dezesseis a dezoito mil pessoas. Zaluar ainda descreveu o caráter do jacareiense como franco e sociável, depois de ter participado de reuniões sociais na cidade. O comércio, considerou próspero e a indústria quase inexistente. Mas era mesmo o café que dava a esta cidade um ar de progresso e trato social - o palacete de João da Costa Gomes Leitão representava, arquitetonicamente o fausto desta época: seu proprietário possuía a maior fortuna de toda a região. Além de fazendeiro era comerciante, juiz municipal, membro da Câmara e portador de título da Guarda Nacional. É presumível que tenha mandado construir o prédio, pois no arco pleno da porta da entrada principal estão as suas iniciais e a data de 1857.

Foto do jacareiense João da Costa Gomes Leitão, um dos financiadores da Guerra do Paraguai e praticamente o principal responsável pela construção da Companhia São Paulo & Rio de Janeiro. Foto publicada no Livro A Civilização do Café, de Alves Motta Sobrinho. Cortesia: Christoffer R.


    Com o tempo o café esgotou o solo do Vale do Paraíba. Em 1890, o Vale já estava empobrecido. O café tinha iniciado a sua marcha para o oeste, vingando, com maior vigor, nas terras virgens e roxas daquela parte da província. Os imigrantes que, por ventura demandavam o Vale, não se fixavam no trecho entre São José dos Campos e o Rio de Janeiro. As exceções foram Mogi das Cruzes e Jacareí, procurados pelos primeiros colonos mais abastados e, mais tarde, de acordo com Sérgio Milliet, intensamente colonizadas pelos japoneses.


    No Vale, uma paisagem desolada substitui a azáfama das grandes propriedades agora abandonadas. Fazendas são postas à venda e as hipotecas chegam aos cartórios. Este Vale, que tantos títulos deu ao Império, que sustentou por mais de meio século a economia nacional, terminou por ter em seus caminhos as “Cidades Mortas”.


 

 

João da Costa Gomes Leitão

 

    O Sr. Leitão, era um português que em Jacareí fez fortuna, começando como tropeiro de burros de carga, para transporte de café e acabou, mais tarde, sendo um dos principais financiadores da construção da Estrada de Ferro até Cachoeira Paulista, para transportar aquela mercadoria de forma mais eficiente. Cafeicultor de grande porte, acumulou tamanho capital, que o levou a construir uma “Casa Bancária”, a qual funcionava em sua própria residência.
 


Mais um pouco da Ferrovia em Jacareí


 

Vista da Estação de Jacareí. Foto: Coleção do Prof.º Ércio Molinari, Lorena-SP. Cortesia: Marco Giffoni, Caçapava.

    Em 1876, foram assentados os trilhos e dormentes da Estrada de Ferro em Jacareí, atravessando uma região que hoje é pleno Centro, mas que naqueles tempos era a periferia da cidade. A linha férrea cruzava o Campo Grande e depois cortava o velho Cassununga, indo em seguida passar bem perto de uma pequena capela erigida em louvor de N. S. do Bom Sucesso, antes de atingir a recém construída Estação da Estrada de Ferro do Norte. É muito provável que o amplo espaço existente diante desta capelinha e confrontante com aquela estação ferroviária, já fosse chamado de Largo do Bom Sucesso. Pois bem!...


    Começa aí uma longa estória referente à praça que veio, mais tarde, tornar-se a principal de Jacareí. Muito há que se falar a respeito, entretanto, vamos desta feita nos concentrar na histórica inauguração de um novo jardim. O Largo do Bom Sucesso era um local semi pantanoso, com topografia bastante irregular. Recôncavos de até 2m. de profundidade transformavam-se em grandes poças d’água quando chovia. A primeira melhoria urbanística feita neste local, foi o aterro promovido pelo Prefeito Pompílio Mercadante, por volta de 1914, com terra proveniente do bairro do Bom Jesus. Entretanto, o ajardinamento primitivo ali feito, era rudimentar. Apenas alguns arbustos e pequenos gramados dispersos. Mas eis quem em 1936, o Prefeito Hélio Navarro da Cruz aí inaugura um verdadeiro primor em termos de jardim. O primeiro jardim público de categoria que a cidade possuía e que dava para deslumbrar qualquer transeunte. Contratada sua execução com a tradicional firma de engenharia da Capital Paulista – “Azevedo e Travassos”, a qual continua hoje com a mesma atividade, teve esta obra detalhes de extremo bom gosto. As calçadas foram pavimentadas com pequenas pedras pretas e brancas, formando assim mosaicos com artísticos desenhos. A execução deste serviço ficou a cargo de artífices portugueses especializados e vindos do Rio de Janeiro.

Foto de 1930, mostrando a Praça Conde de Frontin e um comboio de jardineiras. Provavelmente alguma excursão. Foto da Coleção dos Irmão Cambusano, publicada em (?).


    Ao centro do Jardim se ergueu uma belíssima pérgola, um verdadeiro requinte de arquitetura, a qual ganhou maior beleza, quando adornada pelas plantas trepadeiras, as quais crescendo, nela se entrelaçavam. Na verdade, todo este conjunto veio a formar um verdadeiro tesouro paisagístico.

 

 

FONTES BIBLIOGRÁFICAS (Transcrições)
 

Semanário de Jacareí

Ferrovias: Linhas para o Progresso, 25 de Agosto de 2000

O Café: Jacareí transforma-se em Cidade (Data desconhecida)

João da Costa Gomes Leitão, 20 de Agosto de 1999 (Pequeno trecho de uma Coluna publicada com outro título)

Mais um pouco da Ferrovia em Jacareí, 20 de Outubro de 2000 (Pequeno trecho de uma Coluna publicada com outro título)

 

 

 

Estes Artigos são obras de Luiz José Navarro da Cruz, e foram publicados inicialmente no Jornal Semanário de Jacareí entre os anos de 1999 e 2000 na Série Retratos da Cidade. Tomamos a liberdade de transcrevê-los devido à grande importância histórica, merecendo serem transmitidos a outras gerações por este meio tão dinâmico que é a Internet. Tentamos contato várias vezes com o Sr. Luiz José Navarro, mas infelizmente não obtivemos sucesso. Se você, que leu este Artigo conseguir contato com ele, ou poder nos indicar uma maneira de podermos contatá-lo, ficaremos imensamente gratos.  No Artigo original publicado no Jornal, foram exibidas as seguintes fotos: Vista do banquete comemorativo da "bitola-larga", servido no hotel de Paschoal Marrelli, localizado na Praça da Estação; e mais três fotos comemorativas deste evento. Infelizmente ainda não tivemos acesso à estas fotos para ilustrarmos estes Artigos.

 

 

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