Atualizado em: 29/01/2004

Apresentação:

     O primeiro Artigo do mês de Dezembro trata de impressões do imaginário ferroviário. É mais um belíssimo texto de Luiz José Navarro da Cruz, intitulado "Sons e Imagens de uma Ferrovia". Este Artigo foi publicado inicialmente no Jornal Semanário de Jacareí em 01 de Setembro de 2000 na Série Retratos da Cidade. Assim como o primeiro texto do Sr. Luiz José Navarro da Cruz, tomei a liberdade de transcrever este também devido à grande importância histórica, merecendo ser transmitido a outras gerações por este meio tão dinâmico que é a Internet. Continuamos tentando contato com o Sr. Luiz José Navarro da Cruz, mas infelizmente não obtivemos sucesso. Se você, que leu este Artigo conseguir contato com ele, ou poder nos indicar uma maneira de podermos contatá-lo, ficaremos imensamente gratos. Não deixe de conhecer também os outros artigos.

Christoffer R.

Webmaster - ANPF

 


 

Dezembro de 2003 - N.º 11

Texto de Luiz José Navarro da Cruz

 

 

Sons e Imagens de uma Ferrovia

 

2003-2004 - 150 Anos da Ferrovia no Brasil

2003-2004 - 150 Anos da Ferrovia no Brasil

 

 

Sons e Imagens de uma Ferrovia
    Na memória de muitos jacareienses, ficaram gravados, de forma indelével os sons característicos e as imagens próprias da Estrada de Ferro Central do Brasil. Assim, o ruído compassado produzido pelas máquinas a vapor; o apito de alerta soando quando o trem se aproximava dos cruzamentos de linhas com ruas da cidade (as passagens de nível); os sinetes que tocavam nas duas extremidades da Praça Conde Frontin e no Cassununga, chamando a atenção de pedestres e veículos para a passagem de uma composição ferroviária, tudo isto, enfim, formou a audio-memória da Ferrovia. Podemos neste particular, lembrar também o toque agudo e ecoante de buzina, emitido pelas máquinas mais modernas, ou seja, aquelas locomotivas movidas a óleo diesel.


    Outrossim, inesquecível o apito conjunto dos trens estacionados em nosso pátio ferroviário, saudando um novo ano, a cada dia 31 de Dezembro. E, ainda, impossível de ser omitido, pela sua característica toda peculiar, seria o apito do Trem-socorro. Um apito em tom lamurioso, era realmente um som um tanto melancólico e que, facilmente identificável, se distinguia dentre todos os demais apitos. Mas, a sua finalidade era chamar a equipe de ferroviários que compunha o plantão de socorro, sendo que este pessoal estivesse-onde-estivesse:- no cinema, no baile, no campo de futebol ou gozando do repouso noturno, de imediato, deveria se dirigir à Estação, aonde a composição de socorro, aguardava seus operadores. Esta se compunha de um guindaste, um vagão de ferramentas e um carro refeitório/dormitório, que uma locomotiva puxava até Mogi ou, em sentido contrário, até Taubaté, trecho que era de responsabilidade da equipe aqui sediada. E, importante é ressaltar, que as dimensões de Jacareí, mostrando apenas uma moderada expansão, possibilitavam que aquele sinal de emergência fosse ouvido até os limites urbanos, em todas as direções.

 

Vista superior da Estação e Pátio de Jacareí, local, onde por ocasião do novos anos que chegavam, os trens que estavam ali estacionados na ocasião da virada de ano, saudavam este que chegava apitando. Foto: ?

Vista superior da Estação e Pátio de Jacareí, local, onde por ocasião do novos anos que chegavam, os trens que estavam ali estacionados na ocasião da virada de ano, saudavam este que chegava apitando. Foto: ?

    No campo das imagens, podemos logo lembrar dos trens considerados de luxo. Primeiro, era o “Noturno”, conhecido como “Trem Azul”, pois seus vagões apresentavam esta cor externa. Depois, veio em seu lugar o trem “Branco”, que era o Trem de Aço. Ambos, como meios de transporte de Primeira-classe, tinham vagões dormitório e refeitório. Sem dúvida, era uma delícia viajar dormindo um bom sono, até o Rio de Janeiro, em confortáveis cabines ou almoçar vendo a paisagem em movimento.


    Havia também os trens populares, como o conhecido “Expressinho”, o qual passava apinhado de gente, com passageiros sentados, em pé e até pendurados. Via-se sempre muitos recrutas dirigindo-se aos quartéis de Caçapava, Pindamonhangaba e Lorena, uma vez que as fardas lhes davam passe-livre. Outros trens de passageiros eram famosos, como o “Rápido”, que dirigindo-se ao Rio, fazia parada em Jacareí e cujo nível de passageiros era de chamar a atenção. Gente muito fina e bem vestida, que atraía o pessoal de Jacareí, que se punha a apreciar “toilletes” pelas janelas dos vagões. Ainda imprescindível é citar a “Litorina”, uma auto-motriz de aço (locomotiva e vagão de passageiros, num só módulo), que muito reluzentes, sempre cruzava nossa cidade. De resto, vale lembrar os trens de carga, que levando gado, cimento, minério, etc, chegavam a se compor de mais de 70 vagões, puxados por uma, duas ou mais locomotivas. Sua passagem pelo centro da cidade, hoje seria inviável, pois chegava a durar mais de 10 minutos, o que causaria um congestionamento da ponte do Paraíba ao quadrado da Light. De outra forma, só seria possível esta travessia urbana, por via subterrânea ou elevada (aos moldes do metrô), como se cogitou fazer por volta de 1974, o que representaria um demérito para a paisagem da cidade.

Aqui podemos ver dois trens que ficaram tanto no imaginário dos jacareienses, como também no imaginário de todos os que já os viram passar em tempos antigos. Acima temos o Carro Dormitório do "Trem Azul", o chamado Cruzeiro do Sul. Foto: ? Abaixo temos foto do "Trem de Aço", ou "Trem Branco", os chamados Carros Budd. Foto publicada na Revista Ferroviária.

Aqui podemos ver dois trens que ficaram tanto no imaginário dos jacareienses, como também no imaginário de todos os que já os viram passar em tempos antigos. Acima temos o Carro Dormitório do "Trem Azul", o chamado Cruzeiro do Sul. Foto: ? Abaixo temos foto do "Trem de Aço", ou "Trem Branco", os chamados Carros Budd. Foto publicada na Revista Ferroviária.

Aqui podemos ver dois trens que ficaram tanto no imaginário dos jacareienses, como também no imaginário de todos os que já os viram passar em tempos antigos. Acima temos o Carro Dormitório do "Trem Azul", o chamado Cruzeiro do Sul. Foto: ? Abaixo temos foto do "Trem de Aço", ou "Trem Branco", os chamados Carros Budd. Foto publicada na Revista Ferroviária.


Luiz José Navarro da Cruz

 

 

 

Este Artigo é obra de Luiz José Navarro da Cruz, e foi publicado inicialmente no Jornal Semanário de Jacareí em 01 de Setembro de 2000  na Série Retratos da Cidade. Tomamos a liberdade de transcrever este Artigo devido à grande importância histórica, merecendo ser transmitido a outras gerações por este meio tão dinâmico que é a Internet. Tentamos contato várias vezes com o Sr. Luiz José Navarro, mas infelizmente não obtivemos sucesso. Se você, que leu este Artigo conseguir contato com ele, ou poder nos indicar uma maneira de podermos contatá-lo, ficaremos imensamente gratos.  No Artigo original publicado no Jornal, foram exibidas as seguintes fotos: Gare da E. F. Central do Brasil, ou seja, local do embarque e desembarque de passageiros de uma Ferrovia. Foto tirada por volta de 1940, e outra foto tirada por volta de 1960, quando se fez um assoalho entre as linhas. Infelizmente ainda não tivemos acesso à estas fotos para ilustrarmos este Artigo.

 

 

 

 

 

 

Para saber um pouco mais da história das ferrovias da nossa região, não deixe de visitar a Seção Histórico em nosso Site, e conhecer as outras Colunas desta Seção.Ir para o Topo!
 

 

 

Conheça também o restante do Site da ANPF

©ANPF 2003-2004 - Direitos Reservados

http://www.anpf.com.br