Atualizado em: 25/11/2004

Apresentação:

         Nesta segunda quinzena de Setembro faço minha estréia nesta Seção. É um pequeno artigo em homenagem à Leônidas da Silva, o eterno Diamante Negro, craque do São Paulo Futebol Clube e da Seleção Brasileira que completara 90 anos no dia 06 de Setembro de 2003, sendo destacado o episódio em que ele foi recepcionado por milhares de torcedores na Estação do Norte da nossa querida Central do Brasil. É uma estréia tímida e simples, é verdade, mas é um começo. Em breve pretendo dar maiores contribuições aqui, ajudando no resgate da História desta grande Ferrovia, especificamente o trecho Paulista.

Christoffer R.

Organizador de "A História nos Trilhos"

 


 

 

Setembro de 2003 - N.º 06

Por Christoffer R.

 

 

A Central transporta Diamante

Quando a Estação do Norte transbordou de tanta gente...

2003-2004 - 150 Anos da Ferrovia no Brasil

2003-2004 - 150 Anos da Ferrovia no Brasil

 

Leônidas da Silva

06/09/1913 24/01/2004

    Em de Setembro de 2003, uma importante figura do futebol nacional completava 90 anos. Tratava-se de nada mais nada menos que Leônidas da Silva, o eterno Diamante Negro. Considerado o primeiro ídolo do futebol nacional, foi artilheiro da Copa da França em 1938 com 8 gols. Lamentavelmente, em 24 de Janeiro de 2004, Leônidas saiu deste mundo e foi jogar futebol em campos celestes, encerrando assim sua trajetória de vida aqui na terra mas ficando eternamente em nossos corações e lembranças.

O primeiro prédio da Estação do Norte, no Bairro do Brás. Fonte: Retalhos da Velha São Paulo, de Geraldo Sesso Jr.

O primeiro prédio da Estação do Norte, no Bairro do Brás. Fonte: Retalhos da Velha São Paulo, de Geraldo Sesso Jr.

     Mas você deve estar se perguntando: “ - Bom, o que isso tem a ver com ferrovia?!?” Calma que explico logo a seguir. Em 1942, o São Paulo Futebol Clube pagou 200 Contos de Réis (na época, a maior quantia paga na América do Sul por um jogador de futebol) pelo passe de Leônidas, o maior nome do futebol brasileiro. Muitos disseram que o Tricolor havia comprado um "Bonde", na época sinônimo de "conto do vigário", devido à idade "avançada" de Leônidas (28 anos até então), e por ele ter passado por alguns problemas no joelho e um tempo na prisão devido ter falsificado o certificado de reservista na juventude.

    Mas a Torcida São-Paulina não ligou para as provocações e milhares de pessoas lotaram a Estação do Norte (depois estação Roosevelt, no bairro do Brás) para recepcionar o jogador que vinha do Rio de Janeiro em um Trem da Central do Brasil, contratado pela ousadia do Doutor Paulo Machado de Carvalho, então dono da Rádio Record de São Paulo.

    A chegada de Leônidas foi um acontecimento marcante, dizem as testemunhas da época. Calcula-se em dez mil o número de torcedores que foram à Estação do Norte, região central de São Paulo, para verem a chegada do artilheiro. Arrisco-me a dizer que nem a inauguração da Companhia São Paulo e Rio de Janeiro e do Alargamento da Bitola da Central até São Paulo contaram com tanta gente.

Leônidas sendo recepcionado na Estação do Norte em 1942. Notem a multidão. Foto retirada do Site Oficial do São Paulo Futebol Clube. Esta foto e muitas outras estavam na Exposição sobre Leônidas que foi realizada no Memorial do São Paulo Futebol Clube.

Leônidas sendo recepcionado na Estação do Norte em 1942. Notem a multidão. Dez mil torcedores do São Paulo receberam o craque quando ele chegou na cidade, já contratado pelo time. Dali, o carregaram nos ombros até a sede do clube, na rua Dom José Gaspar. Foto retirada do Site Oficial do São Paulo Futebol Clube. Esta foto e muitas outras estavam na Exposição sobre Leônidas que foi realizada no Memorial do São Paulo Futebol Clube.

     Em 1906, a Estação do Norte também havia recebido um grande público por motivos futebolísticos: Havia cinco anos que tinha ocorrido um confronto entre combinados formados por jogadores Paulistas e Cariocas, e neste ano de 1906, os dois times voltaram a se defrontar, agora em amistoso entre Seleções. O jogo foi disputado no dia 24 de Julho de 1906, no estádio do Fluminense, no Rio de Janeiro. Com arbitragem de F.C. Moreton, São Paulo venceu por 2 a 1, com dois gols de Duarte, tendo Cox marcado para os cariocas. A primeira Seleção Paulista formou com Jeffery, Urbano e J. Rubião; Fabio, Argemiro e Raul; I.eónidas, Bellegarde, Duarte, Mazzini, Sampaio e Serafim.

Segundo prédio da Estação do Norte, inaugurado na década de 40. Tempos depois, teve seu nome mudado para "Roosevelt", em homenagem ao falecido presidente dos Estados Unidos. Foto: Vias Brasileiras de Comunicação, 1947, Max Vasconcelos. Coleção: Marco Giffoni

Segundo prédio da Estação do Norte, inaugurado entre a década de 30 e 40. Tempos depois, teve seu nome mudado para "Roosevelt", em homenagem ao falecido presidente dos Estados Unidos. Foto: Vias Brasileiras de Comunicação, 1947, Max Vasconcelos. Coleção: Marco Giffoni, Caçapava-SP.

     Essa vitória teve enorme repercussão em São Paulo, levando um grande público à Estação do Norte para recepcionar os jogadores Paulistas.

    Voltando ao tema principal deste artigo, a Leônidas se deve o recorde de público do Pacaembu. Em sua estréia, mais de 70 mil pessoas lotaram o Estádio, em jogo contra o Corinthians, um empate de 3 a 3. Leônidas não fez gol, mas iniciou ali a sua trajetória de glórias no Tricolor Paulista, vencendo 5 vezes o Campeonato Estadual.

    Em Comemoração a esta importante data, o São Paulo havia inaugurado, em uma quarta-feira, dia 3 de Setembro de 2003, a Exposição Leônidas da Silva - O Diamante Negro, em homenagem aos 90 anos do ex-jogador. A mostra, composta por 20 painéis que contam a história da passagem do ex-atleta pelo Tricolor e momentos de sua vida após o encerramento da carreira, em 1950. A Exposição ficou aberta ao público no Memorial do São Paulo até o final de Setembro de 2003, sendo reinaugurada novamente dia 02 de Fevereiro de 2004, em homenagem ao craque, que falecera dias antes, em 24 de Janeiro. Ela ficou aberta até o final do mês de Fevereiro do mesmo ano.

    O ex-jogador, além de ter diabetes, sofria de pneumonia, câncer de próstata e do mal de Alzheimer (doença degenerativa das funções cerebrais). Em seus últimos anos de vida, mais precisamente desde 93, vivia em uma casa de repouso em Cotia, tendo todas as despesas da internação (R$ 6.000 mensais) pagas pelo São Paulo e pelo empresário José Lazaro, que se tornou seu amigo nos anos 60. "Só poderia dizer que o São Paulo tem feito muito pouco, em comparação ao que Leônidas fez pelo São Paulo", disse na oportunidade Marcelo Portugal Gouveia, Presidente do São Paulo.

Na década de 40, quando jogava no São Paulo, uma companhia de tabaco lançou o cigarro Leônidas, pagando ao craque, dez mil Réis pelo uso comercial do seu nome. Em 1938, uma fábrica de chocolate, já tinha pago três mil Réis pela marca Diamante Negro. Foto acima: Coleção: Sérgio Augusto de Oliveira, Maringá-PR.

    Copyright: Christoffer R.Leônidas veio a falecer às 16 horas do dia 24 de Janeiro de 2004, em Cotia, região metropolitana de São Paulo, vítima de uma infecção pulmonar.  Em 2001, chegou a estar na UTI, resultado de sua cada vez mais debilitada saúde. O corpo do "Diamante Negro" foi velado no Salão Nobre do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. O enterro foi realizado no Domingo, dia 25, às 14 horas no Cemitério da Paz, também no Bairro do Morumbi, na Capital Paulista.

    A Missa de Sétimo dia em memória do grande ídolo São-Paulino, foi realizada no dia 31 de Janeiro, Sábado, às 11 horas da manhã, no Salão do Estádio do Morumbi. A entrada se deu pelo Portão 05, na Rua Jules Rimet.

    Na época em que completara 90 anos, foi noticiado que Leônidas também receberia mais duas outras homenagens: o lançamento do Site Oficial do Ex-Atleta (http://www.leonidasdasilva.com.br) e do filme, com o título provisório de Diamante Eterno, produzido por Paulo Machline e Ricardo Martirani,  baseado na biografia de Leônidas escrita pelo jornalista André Ribeiro.  

   Como curiosidade, aquele famoso chocolate “Diamante Negro” tem seu nome inspirado neste craque do passado. A empresa fabricante criou o chocolate como homenagem ao craque após a Copa de 1938.

Leônidas executando a jogada que lhe deixou famoso: A Bicicleta. Foto: Gazeta Press

Leônidas executando a jogada que lhe deixou famoso: A Bicicleta.

Foto: Gazeta Press

    O Memorial do São Paulo fica no Estádio do Morumbi (avenida Giovanni Gronchi), Portão 17. A Exposição pôde ser visitada de Segunda a Sexta, das 9 às 16h30, e aos Sábados, Domingos e Feriados, das 12 às 16:30h. O Memorial não funciona em dias de jogos. Ficou aberta ao público do dia 02 de Fevereiro até o final do mesmo mês, e quem viu, pôde conhecer um pouco mais do fantástico Jogador tricolor que foi Leônidas. Esperamos que o São Paulo reedite mais vezes esta exposição.

Leônidas começou a jogar futebol em 1926 no São Cristóvão, time do subúrbio
carioca. Passou pelo Sírio Libanês e Bonsucesso, até chegar aos principais clubes do Rio de Janeiro. Foi campeão pelo Botafogo e Vasco até tornar-se o mais popular craque do Flamengo. Em 1942 veio jogar pelo São Paulo, fixando-se na capital.

Futebol


Que a Lacta lançou o chocolate "Diamante Negro" em 1936, em homenagem a Leonidas da Silva, o inventor da bicicleta no futebol? XXX

Fica aqui também esta singela homenagem. Descanse em paz Grande Leônidas!

Christoffer R.

 

REFERÊNCIA BÁSICA

Gazeta Esportiva.net

 

Esta Coluna é obra de Christoffer R., Organizador de "A História nos Trilhos", iniciante na Pesquisa Ferroviária e entusiasta da História Ferroviária do Vale do Paraíba do Sul. Mantém também uma Lista de Discussão com intuito de reunir entusiastas por esta grande Ferrovia, a Central do Brasil.

 

Visite também:

http://www.leonidasdasilva.com.br

http://www.gazetaesportiva.net

http://www.saopaulofc.net

http://www.museudosesportes.com.br - Leônidas

http://www.rabisco.com.br/35/leonidas.htm

http://www.guiadoscuriosos.com.br - Leônidas

http://www.flamengonet.com.br - Leônidas

 

 

 

 

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