Atualizado em: 25/11/2004
Apresentação:
A segunda Coluna deste mês de Agosto, é mais uma obra de José Emilio de Castro Horta Buzelin, e fala de sua primeira viagem em um Carro Budd, no antigo "Vera Cruz", Trem que percorria o trecho entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O outro itinerário dos Carros Budd, era entre o Rio de Janeiro e São Paulo, o antigo "Santa Cruz". "Santa Cruz" e "Vera Cruz", como você pode perceber, era o nome dado aos Trens em cada uma das rotas. O Artigo também nos mostra as impressões do Autor em um fantástico relato de história oral. Não deixe de conferir e apreciar, assim como os outros artigos também!
Christoffer R.
Organizador de "A História nos Trilhos"
Agosto de 2003 - N.º 04
Por José Emílio de Castro Horta Buzelin
Memórias no Trem de Aço - I
Em Abril de 2002 realizei um "sonho", que na verdade surgiu ainda quando eu era menino, deslumbrado pelo que via nas plataformas da Estação Central de Belo Horizonte, tanto do lado da "Central", como da "Centro-Oeste", durante passeios com meu pai, que me levava à Estação para ver trens, pois alguns centavos de cruzeiro para acesso as plataformas pelo passe, estavam mais adequadas ao nosso orçamento naquele tempo... e assim observávamos as frenéticas manobras que ali ocorriam e, dentre elas, a do reluzente "Vera Cruz".
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Capa do Livro "Carros Budd no Brasil - 1: Os trens que marcaram época", de autoria de José Emílio de Castro Horta Buzelin, publicado pela Memória do Trem e que pode ser adquirido em nossa Lojinha |
Meus olhos
de menino se voltavam somente para aquele trem prateado e
imponente, que desde cedo marcou minha memória e definiu
meus passos ferroviários... Desde já, frustro a curiosidade
de tantos que agora se perguntam: e o que mais você via?
Corro o risco de responder mais pela conveniência do
conhecimento do que existia no período, do que pela
lembrança legítima. Assim fico por aqui! Mas não é tudo!
Das lembranças de uma infância simples, mas muito querida, ao
"Livro Budd", alguns passos foram dados a mercê deste longo
caminho e com muito ainda a percorrer. Mas desejo externar
que pontuar algo que faz parte de minha vida há tantos anos,
compartilhando algumas mal traçadas linhas de pretenso
conhecimento que foi o livro, foi e é motivo de alegria.
Portanto, peço licença para contar!
O "sonho" não foi realizado sozinho. Por diversas vezes
manifestei a minha gratidão por todos aqueles que me
ajudaram a realizá-lo, desde que saiu de sua forma latente,
em 1992, e se tornou realidade em 1998, com a primeira
versão rascunho e em seguida o livro, propriamente dito. E
àqueles que me prestigiam com o seu carinho e paciência de
leitor, rendendo-me um reconhecimento que agradeço e muito
me recompensa, resta-me considerá-los no campo da
generosidade, onde estão também os elogios e as críticas.
O livro não terminou e no projeto do volume 2, muito mais
haverá de ser discutido, analisado, corrigido, melhorado...
enfim.
Mas como isto começou? De onde vem a paixão pelos Carros
Budd, afinal? E pela ferrovia?
Tudo começou pelos idos de 1972, quando meus pais me levaram
para a minha primeira viagem de trem. Curiosamente já havia
viajado para o Rio de Janeiro pela via rodoviária, através
da Viação Util, que exibia em seus modernos monoblocos
Mercedes-Benz uma pintura azul-claro e cinza, com uma enorme
silhueta desenhada de um cão em salto na porta, numa alusão
a algo semelhante no exterior...
Também - por força de um trabalho de meu pai - viajei de
avião. Mas não me perguntem que modelo foi. Mas me lembro
com detalhes dos portões dos aeroportos da Pampulha e de
Santos Dumont. Já me interessava, portanto, também por
estações, embora não me desse conta disto ainda - apesar de
ser uma "estação de avião".
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Locomotiva GE U23C "Cachoeirinha" formando o trem "Vera Cruz" na plataforma junto ao prédio principal da Estação de Belo Horizonte, Setembro de 1985. Foto: Flávio Francesconi Lage - Retirada do Livro Carros Budd no Brasil 1. |
Chegou a
vez do trem. Chegamos à plataforma da Estação de Belo
Horizonte, que exibia sua plenitude em vida, luz e cores, em
uma noite aberta e alegre. Não a Estação Central de hoje,
que virou uma casa-de-bonecas sem vida, sem alma e sem
trens. Movimentada, representava um vai-e-vem de pessoas sem
fim. Algo mais ou menos atordoante para uma criança muito
nova, contudo, "divertido".
Diante de mim, de repente, vi um carro prateado e enorme, no
qual entramos. Como em um "labirinto", meu pai se conduzia e
a nós pelo interior do trem, com a ajuda inestimável do
camareiro, para encontrar a cabine, em meio a uma
luminosidade pouco maior que a de algumas velas, pois a
"bateria não estava sustentando muito bem" e aquela luz
amarelada convidava para um aconchego, ainda fora de hora,
pois no momento do embarque o "lusco- fusco" somente
atrapalhava.
Logo, com minha mãe, me vi acomodado em um dos leitos,
enquanto meu pai acabava de se acomodar com as malas e etc.
Muito bem. Não sei explicar porque tenho consciência de
lembrar que tudo para mim naquele momento não representava
uma viagem - estranhamente, achava que era mais um passeio,
rápido, findado o qual logo estaria em casa, em meu quarto.
Desconfio que meus pais me enrolaram para que eu aceitasse
este "passeio" - normalmente, eu teria ficado na casa de
meus avós pois também era a minha primeira viagem noturna.
O trem começou a se movimentar. Não compreendia bem aquilo. O
que estava acontecendo? Andando? Mas não seria apenas
"conhecer" e sair? Não sabia onde estava exatamente, ou pelo
menos não tinha consciência plena do fato do que estava em
curso? Ia para casa?
A luz foi ficando mais forte à medida em que o trem andava e
da janela via tudo passar rápido. Sem demora, fui tomado de
um desespero angustiante, sobre o qual até hoje busco alguma
explicação razoável, iniciando um soluçar compulsivo e
bradando que queria voltar para casa, balbuciando "quero o
meu quarto", incessantemente.
Enquanto perdia o fôlego em continuado desalento, minha mãe
chegou mesmo a chamar o camareiro, pois ela estava
convencida de que não deveríamos viajar daquela forma e
assim perguntou qual seria a parada para um possível
desembarque mais próximo. Ele, prontamente, respondeu que
seria somente em pouco mais de duas ou três horas, em
Congonhas do Campo - fora de BH, portanto. Minha mãe
insistiu a respeito de uma parada mais imediata e diante da
situação, ele solicitou ao Chefe-do-trem a presença, que
aconteceu mais que imediatamente.
Atencioso, mas certo do que sabia, o educado Chefe-do-trem
disse que não seria possível fazer aquilo, mas que se fosse
absolutamente necessário (por questões de saúde, caso
houvesse uma evolução neste sentido), teria ainda
tempo de sinalizar para o maquinista parar no "distante"
Barreiro, afim de que a minha tormenta (e de meus pais e dos
passageiros mais próximos) terminasse com o nosso iminente
desembarque... Não se tratava de um mimo, até porque meus
pais já haviam feito de tudo dentro de sua autoridade - mas
viram que não se tratava de uma birra infantil mas de uma
preocupante reação emocional como não haviam antes visto.
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Foto do Diurno "DP" em Julho de 1979, na "Serra de Guararema" entre César de Souza e Sabaúna. Foto: João Bosco Setti. - Retirada do Livro Carros Budd no Brasil 1. |
Apesar disso, meu pai interveio dizendo que afinal não era
possível interromper a viagem, pois nós precisávamos chegar
ao Rio de Janeiro para um compromisso familiar e, em 1972,
descer no Barreiro por volta de vinte e uma horas,
representava uma pequena aventura, em um bairro ainda
distante em relação a Belo Horizonte e sem recursos
metropolitanos de transporte, quanto mais à noite... e
descer nas paradas formais representaria um pernoite forçado
em qualquer uma das cidades, pois os horários de ônibus
somente
correriam no dia seguinte.
Mas nada era capaz de acalentar o intermitente desespero do
qual fui tomado e logo eles perceberam que somente a perda
do fôlego e o cansaço me fariam aceitar a irreversível
situação, pois a essa altura, enquanto isto, o Barreiro já
ficara também para trás...
Mas nada como o carinho dos pais, que, mesmo diante de
situações difíceis, são os únicos a encontrar as soluções
mais inusitadas quando o assunto são os filhos.
Sem que meu desconforto cessasse, meu pai pegou-me pelo colo
e começou a andar comigo pelo corredor do carro dormitório
cabine dupla, num esforço para tentar acalmar-me de qualquer
jeito. As pessoas passavam por nós naquele estranho corredor
apertado, iluminado e ele me dizia: "veja, meu filho: não há
nada para temer". Lembro-me que aquele homem atencioso que
usava uma camisa branca e um quepe azul, veio novamente ao
nosso encontro, perguntando se estava tudo bem ou se meu pai
precisava de algo. E enquanto isto, fui "milagrosamente"
acalmando, afinal.
Pelas tantas, pois Chefe-de-trem da Central que se prezasse
puxava um bom papo, começou a conversar com meu pai,
explicando algo sobre o trem e as paradas. Enquanto isto,
cansado de me sustentar em seus ombros, colocou-me por
alguns instantes no chão e o bate-papo continuou acontecendo
no vestíbulo. Mais calmo, lembro-me nitidamente, da primeira
imagem Budd que vi na vida: a porta de aço do carro
restaurante, balançando freneticamente em relação ao carro
em que eu estava. Hipnotizado, olhava fixamente para a
porta e não entendia como podia balançar tanto... coisas da
mente infantil.
Mas logo meu pai me colocou novamente em seus braços e o
chefe despediu-se, entrando no carro restaurante. Não o
acompanhamos. Da janela da porta, meu pai me mostrou as
pessoas jantando e lembro-me nitidamente de mesas com
toalhas brancas, pessoas conversando, etc. Estava cheio.
Voltamos para a cabine. Lá, minha mãe já nos esperava -
aliviada - por ver que seu pequenino mais calmo. Meu pai me
colocou junto a janela e apagou todas as luzes. Mostrou-me a
paisagem noturna que se descortinava naquela noite iluminada
pelas cidades distantes e pelo luar. O balanço do trem era
harmônico e suave. O som dos rodeiros passando pelas talas
de junção (a linha não era soldada), imprimia uma balada
ritmada e variada. A luminária de cabeceira foi acesa por
ele depois e exibia uma tênue coloração azulada a chamada
luz noturna que existia em todas as cabines Budd - já havia
a consciência por parte do fabricante de que muitas pessoas
sofriam do desconforto de lugares fechados e uma vez apagada
a toda a luz da cabine do carro dormitório, seu interior
revelava um breu sem igual, apenas sutilmente quebrado pela
luz do corredor que vencia algumas frestas da porta. Uma
sensação nada agradável para quem sofre deste desconforto e
assim a luz azul ajudava a quebrar esta condição, sem
incomodar por claridade.
Ficamos acordados até a passagem por Lafaiete. Sei que foi o
pátio de Lafaiete que vi, pois o trem havia parado
longamente desde que saíra e, da janela, vi ao lado uma
locomotiva que exibia em seu "numberboard" aceso o número
"35" e alguma coisa. Hoje sei que vi a silhueta de uma Alco
RSD12 no pátio - um pátio mal iluminado, com várias linhas e
até vazio, com uma rua pacata e casas baixas.
No alvorecer não era possível acreditar que na noite anterior
aquele garotinho assustado e febril, estava irradiante,
encantado e tudo via e perguntava. Uma manhã, tão bonita,
raiava pela janela.
Perguntei por aquele lugar que havíamos visto "ontem" e logo
o conheci. Fomos tomar o café da manhã. Raios dourados de
sol invadiam o carro restaurante que com suas janelas
largas, descortinavam a paisagem de ambos os lados. Logo,
xícaras brancas, impecavelmente limpas e de borda grossa,
com a marca da RFFSA, adornavam a nossa mesa, chegando em
seguida o melhor café-com-leite de que me lembro. Pão fresco
com manteiga e bolachas de sal "Piraquê" com geléia "Ritter"
de morangos, completavam o desjejum.
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"Santa Cruz" tracionado por uma das locomotivas elétricas 2-C+C-2 "Escandalosas" por volta de 1972 passando por Lauro Müller. Foto: Acervo RFFSA - Retirada do Livro Carros Budd no Brasil 1. |
Da janela,
chamou-me a atenção o trem nas curvas e à frente uma grande
locomotiva, bifrontal, vermelha, barulhenta... meu pai,
ainda que com conhecimentos limitados sobre trens, dizia:
"olha lá a locomotiva elétrica!" Era uma GE 2-C+C-2. Pois
hoje, por associativismo, lembro-me que já ganhávamos a
nossa famosa Serra do Mar. Corríamos bem para Japeri.
Logo, quis voltar para a cabine, mas meus pais não haviam
terminado ainda o seu café. Conduzido pelo nosso amigo
chefe-de-trem, voltei a ela, onde fiquei junto à janela, em
êstase pela paisagem que se revelava diante de meus olhos.
Lembro-me de vagões Anglo isotérmicos amarelos; os fechados e
até de um cruzamento com uma "Escandalosa" azul desbotada
(era a última, que durou até meados dos anos 70) na Serra.
Lembro-me dos subúrbios do Rio; da reta de Queimados; da
passagem pela Estação do Engenho de Dentro, etc.
Chegamos. Estação D. Pedro II. A aproximação era meticulosa.
Uma parada de mestre. Suave. Perfeita.
Descemos. O destempero de outrora estava irremediavelmente
substituído pela alegria e pela festa. Caminhávamos em
direção à locomotiva e eu queria muito saber o que era uma
locomotiva afinal - e diante de mim, a "Escandalosa" 2115,
Westinghouse, simplesmente linda, fazia jus ao nome. Já
desengatada do Trem, exibia-se limpa, com seu vermelho RFFSA
escorreito. Suas portas frontais abertas naquele nariz
maravilhoso, com os pára-brisas e o farol em destaque,
davam-lhe uma imponência sem igual. Os maquinistas, ao lado,
vestidos impecavelmente, com suas camisas brancas e gravatas
azuis, cumprimentavam a todos, orgulhosos de sua missão
cumprida e também respondendo aos agradecimentos dos
passageiros por sua competência na jornada que findara ali.
Havia mais educação entre as pessoas naquele tempo. E o Rio
de Janeiro era a Cidade Maravilhosa.
Ao chegar na casa de meus tios, irmãos de meu pai, contei a
aventura como pude e não falava em outra coisa.
Voltamos de trem dali a alguns dias.
Desta vez o sono tomou conta de mim, ainda antes da saída.
Acordei quando o "Vera Cruz" já estava parado em Três Rios e
pela janela vi a Estação. Voltei a adormecer profundamente,
somente acordando... no Barreiro. Lembro-me de observar um
céu avermelhado, provavelmente poluído pela descarga de
algum resíduo da Mannesmann.
Chegamos ao nosso ponto de partida, a Estação de Belo
Horizonte, movimentada, viva. Ao descer do Trem, uma nova
"crise" queria se esboçar - mas, desta vez, de saudade da
viagem...
("ô Menino birrento, sô!" Há de dizer o meu amigo Ralph...)
Mas eu voltei, e voltei, e voltei...
...e sobre elas contarei a vocês. Sem "choro nem vela" mas
com muitos trens!
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Uma fantástica fotografia com uma vista do "Santa Cruz" Diurno em viagem no ramal de São Paulo, ao longo do Vale do Rio Paraíba do Sul e ao lado da Rodovia Presidente Dutra ainda com pista simples. Podemos notar nesta foto mais ao fundo uma antiga Ponte, construída pela E.F. D. Pedro II, desativada por conta da construção de uma nova Variante na região entre Queluz e Engenheiro Passos, por onde o Trem está passando. A frente temos a antiga pista da Rodovia Presidente Dutra, que também foi desativada. Foto: Acervo RFFSA - Retirada do Livro Carros Budd no Brasil 1. |
Não, esta
não é uma historinha para o Livro. É apenas algo que peço
licença para compartilhar e dizer que de todas as minhas
viagens, da janela de um Budd e de uma cabine longitudinal,
passei a me dar conta daquilo que hoje representa para mim
expressão inquebrantável de meu espírito, que é a Ferrovia.
E tudo começou por causa de uma viagem de trem. É engraçado
mas, nos outros meios, viajei sem sustos ou rompantes
emocionais... Daí a "surpresa" de meus pais diante de
tamanha reação que descrevi.
Mas ainda me pergunto: havia viajado nos outros meios, dos
quais me lembro, e por que será que o trem foi o escolhido?
Não ter esta resposta faz parte do que sou.
Se tivéssemos descido no Barreiro, quem sabe o que teria
acontecido... Provavelmente o Vicente Maria, estimado amigo
e o mais antigo Agente da Estação, hoje MRS, no Barreiro,
teria de resolver um "pepino" com passageiros, logo em seus
primeiros dias de pernoite...
Todas as fotos foram retiradas do Livro "Carros Budd no Brasil 1 - Os trens que marcaram época", de autoria de José Emílio de Castro Horta Buzelin, publicado pela Memória do Trem. A utilização e reprodução das fotos foi feita com a Autorização do mesmo, pois sem ela, não seria possível a utilização das imagens do Livro. Gostou do que viu? Não deixe de prestigiar este fantástico trabalho. Este Livro possui 144 páginas e mais de 410 fotos! Você pode comprá-lo em nossa Lojinha!
Esta Coluna é obra de José Emílio de Castro Horta Buzelin, Desenhista Industrial pela Universidade do Estado de Minas Gerais, com especialização na área de Ergonomia. Pesquisador Ferroviário, atua em atividades de Consultoria Técnica e Estudos sobre História e Memória das Estradas de Ferro no Brasil e atualmente exerce sua atividade como Sócio Fundador e Diretor da Memória do Trem.
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