Considerado um dos mais belos exemplares da arquitetura inglesa no
Vale do Paraíba, com uma torre central dotada de um relógio de quatro faces,
encimada por telhas de ardósia e cornijas de argamassa trabalhada, além das
carrancas e adornos, o prédio da estação foi construído durante a gestão de
Paulo de Frontin como diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil e inaugurado
no dia 1º de novembro de 1914. Este prédio substituiu a antiga estação,
construída em 1877 pela Estrada de Ferro São Paulo – Rio de Janeiro, que se
tornara obsoleta com o passar dos anos, não suportando mais o volume de cargas e
passageiros que só aumentava na época, à medida que as cidades cortadas pela
ferrovia se desenvolviam.
O projeto da Secretaria de Planejamento e Coordenação da Prefeitura
contempla a instalação de novas estruturas hidráulicas e elétricas, pintura,
troca de piso, alvenaria, adaptações físicas de salas, construção de acessos
para pessoas com deficiência e instalação de refrigeração, além do trabalho
artístico de restauração do aspecto físico. No final de 2007, foram concluídas
as obras de restauração da estrutura do telhado, incluindo forros, as calhas e
condutores. Toda a obra foi executada com recursos da prefeitura, que também
realizou as adaptações necessárias para adequar o prédio, para que nele
funcionasse um Centro de Capacitação de Professores da Rede Municipal de Ensino,
além das salas de exposições que serão abertas ao público. No dia da entrega das
obras concluídas, foi realizada no prédio, uma exposição de fotos antigas da
estação e da ferrovia, além de uma mostra de objetos como ânforas, tijolos,
condutores de água e luz, dentre outros que faziam parte da estação, que sem
condições de recuperação, foram retirados e substituídos por outros semelhantes
no decorrer das obras de restauro.
Para quem quiser ir conferir pessoalmente como ficou a estação
restaurada, a mesma localiza-se na Praça Condessa de Frontin, s/n, Centro,
Guaratinguetá-SP, e pode ser visitada de segunda a sexta da 14:00 às 17:00h e
aos sábados das 12:00 às 17:00h.
COMENTÁRIOS: Belíssimo exemplo do estilo inglês de construção, é única no Vale paulista com essas características: linhas retas marcantes,
solidez e exatidão de projeto e construção, extremo requinte nos detalhes de acabamento. Aprecie as linhas do telhado com grande inclinação, próprias para países onde neva (?!), exageradas para nosso país tropical, mas que proporcionam beleza e identidade para os prédios que as usam.
Apesar da sofisticação do acabamento, notem a extrema funcionalidade, bem dentro da
sóbrio estilo inglês: entrada/saída e acesso à plataforma bem visíveis e definidos, com dependências funcionais dos lados. Destaque para a bilheteria com acesso organizado pela grade frontal ao atendimento. Boa iluminação natural, vê-se que é uma estação confortável, prevista para atender e despachar com rapidez um fluxo considerável de pessoas, respeitada sua época de construção.
A qualidade da construção estende-se também aos imóveis complementares, veja a residência do engenheiro, que aqui morava por ser a cidade uma das sedes operacionais e responsável por grande trecho da linha.
A estação nos últimos tempos de operação servia mais aos passageiros e era mais utilizada nos trens paradores e menos nos expressos.
Seu pátio atualmente não é grande, tal como aconteceu com o número de passageiros, a quantidade de carga também diminuiu ao longo do tempo.
TEXTO E FOTOS: Marco Giffoni
COMENTÁRIOS: Gilberto Cesar Coiahy Rocha
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