ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE APPARECIDA DO NORTE (SP)


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            Neste mês de Outubro, nada mais justo que rendermos nossa homenagem à nossa Padroeira, NOSSA SENHORA APARECIDA, também padroeira dos ferroviários da Central do Brasil, mostrando a estação da cidade de Aparecida-SP, onde se encontra localizado o seu santuário:

 

Foto: cortesia Marco Giffoni

Estação de Aparecida do Norte, anos 1920-30 do século passado, com seu prédio novo (atual) recém-construído - Coleção Museu Frei Galvão. Cortesia: Marco Giffoni.

     

Estação de Aparecida (SP) – alguns apontamentos

            Construída pela então E.F. São Paulo – Rio de Janeiro, a estação de Aparecida foi inaugurada no dia 08 de julho de 1877, mesma data em que foram inauguradas as estações de Guaratinguetá e Lorena e que também marcou a inauguração da ponta dos trilhos desta ferrovia em Cachoeira, interligando-se finalmente com a então E.F. Dom Pedro II e permitindo que todo o trajeto entre São Paulo e Rio de Janeiro fosse feito por via ferroviária.

Foto: cortesia Marco Giffoni

Estação antiga de Aparecida do Norte - Acervo Museu Frei Galvão. Cortesia: Marco Giffoni.

             Como todas as estações da E.F. São Paulo – Rio de Janeiro na época, o primeiro prédio da estação de Aparecida era de dimensões modestas e até mais simples do que outras estações das cidades vizinhas, como Guaratinguetá e Pindamonhangaba, por exemplo. Um dos motivos disso era que Aparecida naquele tempo, era apenas um distrito de Guaratinguetá e não possuía um papel expressivo na região que não fosse do de local de peregrinação religiosa. No entanto, com o passar dos anos, justamente por causa do aumento dessas peregrinações, o distrito desenvolveu-se e a ferrovia teve um papel fundamental neste processo, pois facilitou o deslocamento dos romeiros vindos das cidades vizinhas, de São Paulo, do Rio de Janeiro e até mesmo de outros estados. Ao mesmo tempo, o comércio também se desenvolveu, além de ocorrer outras melhorias na infra-estrutura da localidade. Dentre essas melhorias, podemos destacar o serviço de bondes, primeiro o de tração animal e depois o de tração elétrica, que ligava a Basílica e a região central de Aparecida à estação ferroviária e que também estendia suas linhas até a cidade de Guaratinguetá, o que muito facilitou o deslocamento dos romeiros e da população na área servida por ele.

            Posteriormente, a Estrada de Ferro Central do Brasil, que assumiu o trecho da E.F. São Paulo – Rio de Janeiro, em 1890, construiu o atual prédio da estação de Aparecida, com dimensões maiores e mais adequado para atender à crescente demanda de passageiros e de cargas.

Foto: cortesia Marco Giffoni

Estação de Aparecida, anos 1950/60 - Acervo Museu Frei Galvão. Cortesia: Marco Giffoni.

            Nos anos 80 do século passado, com a extinção dos trens de passageiros, a prefeitura assumiu a estação, reformando e transformando-a num espaço cultural. A casa do chefe da estação, localizada ao lado da mesma, também foi reformada e transformada numa escola de educação infantil. A atual concessionária da malha ferroviária, a MRS – Logística S/A, não utiliza a estação e sim um pequeno prédio localizado próximo a mesma, que abriga o guarda-cancelas e outros funcionários da ferrovia, quando estão de serviço por ali. A empresa também utiliza um pequeno ramal, que outrora servia à Fábrica de Papel Nossa Senhora Aparecida, para o carregamento de vagões de pedra britada, destinadas ao lastro da via permanente.

Alguns dados sobre a estação:

Estação de Aparecida-SP

Localização: Ramal de São Paulo da Estrada de Ferro Central do Brasil, atual Linha de São Paulo da MRS - Logística S/A.

Posição quilométrica: 298,108 (ou seja, a estação de Aparecida fica a 298,108 quilômetros da estação Dom Pedro II, no Rio de Janeiro-RJ, então ponto inicial da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil)

Altitude (m): 554,000

Inauguração: 08/07/1877

Curiosidades:

por que "Aparecida"? - conheça no site www.valedoparaiba.com a origem do nome da cidade.

e por que "do Norte"? - A estação original de Aparecida é de 1877, das inaugurais da Companhia São Paulo e Rio de Janeiro, que com o tempo ficou conhecida como Estrada de Ferro do Norte por utilizar o Vale do Paraíba, historicamente tratado pelos paulistas como o "caminho do Norte" pelo fato de ligar a cidade de São Paulo às regiões "ao norte" do estado (MG e RJ). Por extensão, Aparecida, situada aproximadamente no meio desse caminho, passou a ser mais conhecida por "Aparecida do Norte". Geograficamente a conotação é errada, mas consagrada no uso popular.

 

COMENTÁRIOS SOBRE A CONSTRUÇÃO ATUAL: A edificação atual da Estação de Aparecida data do início do século XX, portanto podemos dizer que o estilo adotado reflete as idéias da época, de transição do neoclássico para o estilo modernista. É a época da Arquitetura Eclética ou Ecletismo, que na verdade não é um estilo, mas uma mistura de elementos dos diversos estilos até então existentes, privilegiando a forma, a apresentação, sendo meramente decorativo. Apresenta o projeto, no caso particular desta construção, forte tendência ao movimento Art Déco, uma das vertentes do Ecletismo, no qual as fachadas tem rigor geométrico e ritmo linear, destacando-se o uso na pintura de tons pastel e a utilização em quase todos os elementos de formas geométricas e abstratas, talvez se constituindo numa das correntes pré-modernistas precursoras da futura arquitetura racionalista. Na verdade, hoje temos uma definição melhor para essa mudança: é um estilo "clean" (limpo), para as vistas já cansadas dos rebuscamentos vistos até então e ansiosas por mudanças.

Outra coisa interessante pode-se perceber com alguma reflexão sobre a época, é que uma das metas deste estilo era associar sua imagem a tudo que fosse moderno, cosmopolita e mesmo exótico. Apresenta-se como um estilo de bom-gosto, destinado às burguesias ricas dos municípios progressistas.

É uma estação de porte pequeno para médio, possui simetria bi-partida com separação por elemento central avançado em relação ao corpo principal, ficando bem caracterizada a utilização de cada lado: olhando-a de frente, o lado esquerdo é o destinado aos passageiros e o direito a cargas e área operacional. As dependências internas são pequenas, porém adequadas ao volume de cargas e passageiros, notando-se, como convém a um local de trânsito, a ausência de obstáculos à movimentação, com os locais de atendimentos situados na lateral e a existência de várias portas dando acesso à gare e ao pátio frontal às entradas da estação. O pátio frontal era para proporcionar comodidade e conforto para o desembarque/embarque, com espaço para a parada de veículos.

Com a liberdade das idéias ecléticas, foi utilizado na cobertura o tradicional estilo alemão, talvez influenciado pela presença de elementos germânicos bastante numerosos nessa região do Rio Paraíba em direção à Serra da Mantiqueira. Esse tipo de construção, embora não predominante, é muito visto em cidades como Aparecida, Taubaté, Pindamonhangaba e principalmente em Santo Antonio do Pinhal e Campos do Jordão. Então os frontões foram construídos recortados como nos Schopfwalm e Krüppelwalm, vide a figura ao lado, obtida no site www.de.wikipedia.org, para entender melhor esta técnica construtiva.

O prédio está bem conservado, pois é utilizado pela prefeitura local, abriga sua Divisão de Cultura e em sua reforma os detalhes de acabamento foram mantidos. Apesar da nova utilização, estando-se podemos sentir bem como era uma estação antiga, com sua "Sala dos Apparelhos" e "Armazém" com identificações originais, bem como pintura de época nas paredes e madeiramento. Um detalhe nos chamou a atenção, não sabemos o porque do acabamento diferente na parte superior de portas e janelas nos lados direito e esquerdo do prédio, retas no lado direito e em arco na esquerda. Manda a simetria do estilo que fossem iguais, mas não são, devem ter sido modificadas em alguma reforma, mas o interessante é que o relevo que contorna essas partes superiores diferentes tem o mesmo tipo, é só conferir para ver!

          De interessante na parte externa temos a antiga casa do chefe da estação, também restaurada e com nova utilidade, de apoio ao turismo no município. Essa casa segue um estilo próprio que batizamos de "padrão EFCB", já que foi muitíssimo utilizado em construções funcionais da Estrada e pode ser visto em diversos lugares. Outro detalhe de época muito interessante mantido foi o volante (conhecido no meio ferroviário como “timão”, por assemelhar-se com um timão de embarcação) para comando a distancia da abertura da cancela na Passagem em Nível existente próxima à estação.

          Finalmente, no pátio temos três plataformas de embarque e quatro linhas, a principal mais três desvios e o ramal para a fábrica ao fundo, já citado na história da estação. Temos ainda uma passarela elevada para pedestres na extremidade norte (sentido Rio de Janeiro), bem como passagens de nível em ambas as extremidades, possuindo as mesmas comando a distancia da abertura/fechamento das cancelas por meio de cabos acionados por um volante na própria estação, já mencionado anteriormente. Nas fotos abaixo temos também vistas da linha, respectivamente na direção de São Paulo e do Rio, e do prédio da MRS, que não combina com nada no local, e que ao menos poderia ter sido construído um pouco mais longe.

            


 
 

A SEGUIR, CONHEÇA MAIS A ESTAÇÃO, INTERNA E EXTERNAMENTE:

 

frente da estação lado interno, visto da plataforma 2, comboio de vagões plataforma passando placa comemorativa do centenário da estação

frente, lado esquerdo de quem entra frente, lado direiro de quem entra detalhe do telhado da plataforma

frente, lado esquerdo interior da estação móvel da decoração

detalhe do móvel close do telhado frontal pátio frontal

interior interior, porta com bandeira interior, porta dupla com bandeira

bilheteria hall passageiros vista da plataforma 2, hoje descoberta

saída hall passageiros hall passageiros

interior, janelas porta interna canto hall passageiros

foto Gilberto Rocha, estação lado plataforma 1 foto Gilberto Rocha, Sala dos Apparelhos foto Gilberto Rocha, comando à distância das cancelas

trilhos sentido Rio de Janeiro frente da estação em Outubro/2009 estação ao longe, vista da passarela, sentido São Paulo

 

 

Endereço atual:

Divisão de Cultura de Aparecida do Norte

Rua Valério Francisco, s/n - Estação

Fone: (012) 3105-7719

Diretora: Prof.ª Tereza Pasin

    

 

RESUMO HISTÓRICO: Marco Giffoni

COMENTÁRIOS SOBRE A CONSTRUÇÃO: Gilberto Cesar Coiahy Rocha, com auxílio da arquiteta Débora Freneda Cassiolato

FOTOS: Marco Giffoni e Gilberto Cesar Coiahy Rocha

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